arquivo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A Morte de Zabelinha



 “A MORTE DE ZABELINHA”
“ O extracto deste texto, do livro BAIXA E Musseques, de António Cardoso, foi escrito no Pavilhão Prisional da PIDE  em Luanda, em Novembro de 1961”,
    Pedro tinha afundado a cabeça nos joelhos e, novamente se deixara vencer pelos pensamentos. Aquela mudança apanhara-o desprevenido: quem ia pensar os brancos iam fazer trabalho dos bares, nas esplanadas, nos cafés, nos hotéis, era mesmo só criados da nossa cor a fazer o serviço. Agora? Já poucos… Caté nas cautelas, na graxa. Se dá dinheiro, pronto… negro vai corrido…
     De nada valeram as razões que apresentara ao patrão, antes de ser despedido. – está bem… Sempre  trabalhaste bem, mas eu agora preciso de modernizar a casa… Vou fechá-la e abrir de novo. Um dia vens cá e vais ver como ela ficou… Tem paciência – e, dito isto, julgando olhar aos seus anos de serviço, foi à caixa registadora, agarrou num maço de notas, quase à toa, e estendeu-lho.
      Esteve vai não vai para não receber. Hesitou. Mas…e depois se ele se zangava e ia sair maka?
      Modernizar… Modernizar… Afinal essa palavra é só dos brancos?! Agora vai pagar mil e quinhentos escudos ou mais, se calhar, e a ele só pagava oitocentos e era só há pouco tempo. Quantos anos só ganhou quinhentos? Mas não podia refilar, oitocentos mesmo poucos pretos que ganhavam …

   Neste torrão de terra à beira mar plantado, os ditadores, colonos, pigmeus ou lá o que quer que lhes chamemos, continuam a nascer e a ter as mesmas atitudes.
 
  Até na minha querida TAP, existe gentinha desse tipo, precisamente com as mesmas atitudes, ou até pior. Estou triste e desiludido com os últimos acontecimentos! A política é tramada, mas os homens(ou Trumps?) são piores. Mesmo aqueles que têm o cólon contaminado.
  Como neste país a Justiça anda pelas ruas da amargura, resta-nos a luta individual pela dignidade, para manter viva a esperança de que os nossos filhos e netos não se cruzem com este tipo de filhos-da-puta.
  Em 1953, ano do meu nascimento, o relógio do Apocalipse esteve perto da hora do Juízo Final. Eu sinto que já não me resta muito tempo, mas até lá não me vou calar, muito menos atirar a toalha ao chão.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.